O Garfim já tinha passado pela primeira rodada de perguntas da Apple. Eu havia preparado a demonstração e explicado o funcionamento do aplicativo. Em 15 de outubro, chegou outra negativa, desta vez com dois pontos concretos: a apresentação da permissão da câmera e uma falha ao carregar as opções de assinatura.

A revisão havia sido feita em um iPad Air. O aplicativo precisava funcionar para quem chegasse sem conhecer sua história, com as condições que o revisor encontrasse naquele momento.

Essa foi a última negativa antes da aprovação. Ela me obrigou a conferir o caminho inteiro, incluindo as pequenas transições entre uma tela e outra.

Explicar a câmera também faz parte da permissão

Fotografar uma refeição é um dos caminhos principais do Garfim. Antes de abrir o pedido de acesso à câmera feito pelo iOS, o aplicativo mostrava uma explicação com os botões “Permitir câmera” e “Voltar”.

A Apple pediu uma mudança nessa etapa: usar uma ação neutra, como “Continuar”, e conduzir diretamente ao diálogo do sistema, sem oferecer o adiamento na própria explicação.

Parece uma troca pequena de palavras, mas cada tela tem uma responsabilidade. A tela do aplicativo explica por que a câmera será usada. A decisão de conceder ou negar o acesso acontece no pedido do iOS. Um botão chamado “Permitir câmera” antes desse pedido pode misturar as duas coisas.

O ajuste não elimina a escolha da pessoa. O sistema continua oferecendo a recusa. Ele torna mais claro em que momento a autorização é realmente solicitada.

Depois da correção, conferi esse percurso com uma instalação nova. Reabrir um aplicativo que já recebeu permissão não reproduz a experiência de quem está usando pela primeira vez.

A assinatura precisa aparecer antes de poder ser comprada

O segundo ponto era mais direto: a tela de assinatura apresentou um erro e não mostrou as opções, mesmo com conexão à internet.

O parecer registrava o que aconteceu, sem determinar uma causa única. Seria precipitado transformar esse sintoma em uma explicação definitiva sobre a loja, a rede ou o aplicativo.

Também havia uma orientação útil da Apple: os produtos de assinatura não precisavam estar previamente aprovados para que a equipe pudesse testá-los durante a revisão. Esperar apenas pela aprovação dos planos não resolveria, por si só, a falha observada.

Na nova validação, conferi o carregamento das opções depois de fechar e reabrir o app e a restauração de uma compra existente. A restauração foi confirmada tanto no aplicativo quanto no servidor que acompanha o acesso ao Pro.

São verificações diferentes. Mostrar o preço, concluir uma compra e reconhecer um direito já adquirido pertencem ao mesmo percurso, mas uma etapa funcionando não comprova todas as outras.

O que foi testado no novo envio

A preparação do build 10 incluiu 107 testes automatizados, a permissão da câmera depois de reinstalar o aplicativo e uma análise real de refeição por foto em iPhone. A busca de alimentos também foi corrigida e conferida em dois iPads.

Havia uma assinatura ativa na conta usada para validar a restauração. Por isso, não repeti naquele ciclo uma compra nova do início ao fim. Essa diferença ficou registrada: restaurar um acesso existente não é o mesmo teste que assinar pela primeira vez.

Registrar o limite do teste ajuda a decidir o que ainda precisa ser observado. Um número de testes aprovados tem utilidade quando sabemos quais situações ele cobre.

Com as conferências concluídas, respondi aos dois pontos do parecer e reenviei o aplicativo e os planos para revisão.

A experiência acontece entre as telas

Essa rodada deixou uma lição concreta para mim. Uma boa explicação pode terminar em um botão ambíguo. Uma tela de planos bem desenhada pode ficar inutilizável se as opções não chegarem. O trabalho precisa acompanhar o que a pessoa tenta fazer até o resultado.

No Garfim, isso significou olhar para uma primeira instalação, uma permissão ainda não concedida, um aplicativo reaberto e uma compra já existente. São estados comuns na vida de quem usa, embora sejam fáceis de deixar de fora quando estamos concentrados em construir a próxima funcionalidade.

A primeira negativa havia exigido tornar o produto compreensível para a revisão. A última exigiu demonstrar que esses caminhos podiam ser percorridos. No capítulo seguinte, veio a aprovação e a chegada à App Store.