Agora posso mandar o link para quem usa Android: o Garfim está disponível no Google Play.

Parece uma frase pequena para o tanto de coisa que aconteceu até aqui. Teve construção, revisão, assinatura para acertar, comportamento para corrigir, gente para convidar para o teste e uma espera de 14 dias que mereceu um texto próprio. Agora existe uma página pública com o aplicativo e o botão de instalar.

Na loja, o nome é Garfim: Calorias por Foto. Dá para começar com o plano gratuito.

A versão para iPhone já tinha sido aprovada e lançada. Com a chegada ao Android, consigo oferecer os dois caminhos para quem acompanhou a construção e quer experimentar.

O que eu queria facilitar desde o começo

Registrar a alimentação dá trabalho. Você come um prato com arroz, feijão, frango e salada, mas precisa transformar aquela refeição em nomes, quantidades e porções. Quando esse esforço se repete várias vezes por dia, ele passa a fazer parte da decisão de continuar ou abandonar o registro.

A ideia do Garfim é diminuir o trabalho para começar. A pessoa fotografa a refeição, recebe uma estimativa de calorias e macronutrientes, confere o resultado e ajusta o que for necessário antes de salvar.

Essa possibilidade de conferir é central. Uma foto mostra parte do prato. Ela pode esconder ingredientes, dificultar a leitura de uma quantidade ou não deixar evidente como o alimento foi preparado. Eu queria que a análise ajudasse a preencher o registro e que a pessoa tivesse espaço para corrigir a estimativa.

O foco em alimentos brasileiros e nas porções do dia a dia vem dessa mesma preocupação. O aplicativo precisa fazer sentido diante da comida que está na mesa. É ali que uma ideia sobre IA vira uma ajuda concreta ou mais uma etapa para resolver.

O Garfim também permite registrar por voz, buscar alimentos e usar código de barras. Há acompanhamento de água, peso, metas e histórico. São caminhos para continuar usando o diário em situações diferentes, inclusive quando tirar uma foto não é a opção mais conveniente.

Dá para conhecer o aplicativo antes de assinar

O plano gratuito faz parte do lançamento. Ele permite manter o diário e oferece uma cota compartilhada de um uso de foto ou voz por dia. Depois de usar essa cota, continuam disponíveis outros caminhos de registro, como a busca de alimentos e o código de barras.

O Pro amplia o uso de IA. Os planos, os valores e as condições aparecem no aplicativo antes da compra, para a pessoa decidir com o contexto da própria rotina.

Essa escolha tem relação com o tempo necessário para conhecer um produto assim. Um diário alimentar pode parecer interessante numa demonstração, mas seu valor aparece quando a pessoa tenta registrar uma refeição comum e voltar depois. Eu queria dar espaço para essa experiência.

Expliquei essa decisão quando escrevi sobre o plano gratuito do Garfim. Agora ela pode ser experimentada nas duas plataformas. Quem usa iPhone precisa de iOS 16.4 ou posterior; quem usa Android já encontra a disponibilidade para o seu aparelho na página do Google Play.

Chegar às duas lojas exigiu trabalhos diferentes

Parte do aprendizado foi entender que o mesmo produto atravessa processos distintos para chegar a cada plataforma.

Na Apple, a revisão trouxe perguntas e correções. Na última rodada antes da aprovação, precisei trabalhar na apresentação da permissão da câmera e no carregamento das assinaturas. Também houve conferência do caminho de restauração de uma compra existente. Esses detalhes estão no relato sobre a última negativa.

No Android, o teste fechado trouxe outra responsabilidade: organizar a participação de pessoas e atravessar o período exigido antes de solicitar acesso à produção. Isso precisava entrar no planejamento junto com as correções do aplicativo.

As duas experiências me fizeram olhar com mais atenção para as passagens entre o produto e a loja. O aplicativo apresenta uma oferta, a loja conduz a compra e o resultado precisa voltar de um jeito compreensível. A pessoa pode desistir, a conexão pode falhar, uma assinatura pode precisar ser restaurada. Cada situação tem consequências para quem está tentando usar o serviço.

Enquanto eu construía, esses caminhos podiam parecer detalhes ao lado da análise de uma refeição por IA. Perto do lançamento, ficou muito claro o peso de cada um. Quem não consegue entrar, entender uma permissão ou recuperar uma compra encontra um problema antes mesmo de chegar ao recurso principal.

A IA acelerou a construção. Eu precisei aprender o restante também.

Construir o Garfim com IA me permitiu avançar em muitas frentes. Também me colocou diante de decisões que continuavam precisando de entendimento: o que o aplicativo promete, como uma pessoa corrige uma estimativa, quais dados são necessários e como explicar o acesso gratuito e a assinatura.

Uma implementação que parece correta ainda precisa ser conferida no percurso de uso. Um texto curto numa tela precisa dizer o suficiente para a pessoa decidir. Uma integração com a loja precisa lidar com mais situações do que uma compra que deu certo na primeira tentativa.

Foi um aprendizado denso justamente porque essas partes se encontram. Uma decisão sobre o plano gratuito muda o que acontece depois que a cota de IA termina. Uma decisão sobre câmera muda o primeiro registro. A forma de apresentar uma falha de login muda a chance de alguém conseguir continuar.

Aprendi bastante ao acompanhar essas consequências. A velocidade de produzir código ajuda, mas eu preciso compreender o produto que estou colocando no mundo. Se alguém tiver dificuldade, a responsabilidade de entender e resolver continua comigo.

É por isso que venho registrando os bastidores. Quando a gente só vê o lançamento, pode imaginar um caminho mais direto do que ele foi. Escrever sobre as dúvidas, as revisões e os ajustes deixa visível uma parte do trabalho que o resultado final sozinho não mostra.

Com o Garfim nas duas lojas, o acesso muda. Quem encontra o projeto pode escolher seu aparelho, instalar e começar. O site do Garfim reúne a apresentação e os detalhes do aplicativo.

Isso me dá uma satisfação muito concreta: conseguir apresentar o produto funcionando e deixar a pessoa conhecer com as próprias mãos. Ao mesmo tempo, abre uma fase em que vou aprender com gente que chega sem ter acompanhado nenhuma das decisões de desenvolvimento.

Quero entender onde o primeiro registro ainda pede explicação, o que facilita voltar ao diário e quais dificuldades aparecem no uso comum. Se você experimentar e encontrar algo confuso, contar o que estava tentando fazer já ajuda bastante. O contexto costuma ser mais útil do que uma nota isolada sobre o aplicativo.

E fica meu agradecimento a quem participou dos testes. Conseguir reunir as pessoas e atravessar essa etapa deu trabalho; a disponibilidade de quem ajudou fez parte dessa chegada.

Depois de tantas vezes explicar que o Android ainda estava em preparação, hoje consigo terminar de outro jeito: o Garfim está no Google Play. O link está aberto.