
Um aplicativo de registro alimentar precisa de mais de uma refeição para mostrar se cabe na vida de alguém. A pessoa pode gostar da primeira tentativa e descobrir, no dia seguinte, que o processo exige atenção demais.
Foi pensando nesse tempo de descoberta que mudei a entrada do Garfim. A versão em preparação passou a ter um plano gratuito, sem prazo para acabar. Antes, continuar usando dependia de uma assinatura após o período de teste.
A mudança permite experimentar o produto na própria rotina antes de decidir pagar.
O diário precisa continuar útil
O plano gratuito mantém o diário alimentar, a busca de alimentos, o código de barras, os favoritos e a repetição de refeições. Também inclui água, peso e histórico.
Para o reconhecimento com IA, defini uma cota compartilhada: um registro por foto ou voz por dia. Depois de usá-la, a pessoa ainda pode preencher o diário pelos outros caminhos.
Essa divisão preserva uma tarefa completa. Quem começou a registrar o dia consegue continuar, mesmo que já tenha usado a foto no almoço.
Minha hipótese é que encontrar utilidade no diário dá à pessoa mais condições de avaliar o Pro, que amplia o uso da IA. Vou acompanhar essa escolha depois do lançamento para entender se ela ajuda as pessoas a conhecer e continuar usando o produto.
“Uma vez por dia” exige algumas decisões
Um limite assim parece simples até chegar ao código. Em qual fuso o dia começa? O que acontece se a pessoa tocar duas vezes? E se a análise falhar depois de começar?
No Garfim, o dia acompanha o fuso da pessoa. Solicitações simultâneas precisam respeitar a mesma cota, e uma tentativa que falha ou não reconhece alimento deve permitir tentar novamente.
É fácil imaginar a frustração do caso contrário: alguém fotografa o prato, recebe um erro e descobre que gastou sua única tentativa. O texto do plano só será justo se o comportamento do sistema acompanhar a promessa.
Esse tipo de detalhe costuma ficar fora da comparação entre “grátis” e “pago”, mas influencia a confiança muito cedo.
A mudança de plano não deve apagar a continuidade
A opção de seguir grátis fica visível na entrada, e o aplicativo guarda essa escolha. Reapresentar a mesma barreira a cada acesso atrapalharia justamente o hábito que quero permitir.
Se uma assinatura termina, a conta volta ao plano gratuito e os registros permanecem. Quem acompanhou suas refeições ao longo do tempo precisa continuar encontrando esse histórico.
O Pro entra como uma ampliação de uso, com limites próprios do serviço. Para avaliar essa divisão, quero observar em que momento alguém sente necessidade de mais recursos e o que já consegue fazer sem eles.
O que vou observar depois do lançamento
O primeiro registro, o retorno em outros dias e os momentos em que a cota é atingida vão ajudar a revisar essa escolha. São sinais mais úteis do que olhar apenas quantas pessoas abriram a tela de assinatura.
Em 3 de outubro, esse desenho estava implementado e a preparação para o lançamento se concentrava no Android. A observação da rotina do público ainda viria depois.
Criar um plano gratuito me obrigou a definir qual experiência o Garfim deve entregar desde o começo. A resposta ficou mais concreta: permitir que alguém acompanhe sua alimentação e conheça o reconhecimento por foto sem ter que decidir sobre uma assinatura na porta de entrada.
