Diminuir um vídeo pode parecer uma tarefa resolvida quando o arquivo final ocupa menos espaço. Mas vale olhar para a imagem: os detalhes das partes escuras continuam lá? O áudio foi preservado? A cópia foi salva corretamente antes de você decidir apagar o original?

Essas perguntas estão no centro do ClipLeve, meu aplicativo para criar versões menores de vídeos no próprio iPhone, sem enviá-los a servidores do produto.

A primeira versão está em preparação para a App Store. Quero apresentar algumas decisões dessa construção porque elas mostram o trabalho que existe por trás de uma tarefa aparentemente simples.

O tamanho conta apenas parte da história

Nos testes com vídeos HDR, que registram uma faixa maior de luminosidade, apareceram perdas de detalhe em regiões escuras. Aumentar apenas a taxa de dados usada na compressão não resolveu o problema de forma consistente.

Foi necessário ajustar o controle de compressão e manter uma alternativa para aparelhos que não oferecem o mesmo recurso. Isso reforçou um critério do projeto: comparar a imagem produzida, além de medir os bytes economizados.

No ClipLeve, as opções Quase igual, Equilibrado e Bem menor apresentam estimativas antes do processamento. Depois, a pessoa vê o tamanho medido e pode comparar as versões arrastando um divisor sobre o vídeo.

A redução varia conforme a gravação. Dar acesso à comparação permite decidir se aquele resultado serve para uma lembrança que será guardada ou para um arquivo que será compartilhado.

Apagar o original exige outra conferência

O aplicativo verifica a versão produzida e confere a cópia salva no Fotos. Só então a pessoa decide se mantém as duas ou autoriza a remoção do original, com confirmação do sistema.

Mesmo depois de mover um vídeo para Apagados, o espaço pode não voltar imediatamente. Essa diferença precisa aparecer na orientação. Exibir o tamanho reduzido como se já fosse espaço liberado criaria uma expectativa errada.

Para testar o percurso, usamos vídeos sintéticos, preparados para a verificação. Assim é possível exercitar inclusive a remoção sem envolver lembranças pessoais.

Como comparar sem depender da imagem?

Essa pergunta levou a uma jornada com o VoiceOver, o leitor de tela do iPhone. Com ele ativado, a pessoa navega pelos elementos e escuta seus nomes e estados.

No simulador, o teste percorreu a escolha do vídeo, a criação e o salvamento da versão leve, a comparação e a decisão sobre o original. O comando de remoção começava desabilitado e só ficava disponível depois de marcar o consentimento. Conferimos se ambos eram alcançáveis pelo leitor de tela.

Um botão pode estar visível e ainda ser difícil de entender sem o contexto ao redor. Por isso, avaliar acessibilidade pede atenção ao nome anunciado, à ordem da navegação e à informação sobre o que está disponível naquele momento.

Também ajustamos áreas de toque, contraste e a ajuda com letras ampliadas. Nessa jornada, a navegação chegou aos controles dos planos, mas não houve uma compra pelo VoiceOver: os preços não estavam carregados naquela sessão.

A loja indisponível não deveria contradizer um acesso válido

Outra situação apareceu ao reabrir o aplicativo sem internet. O acesso vitalício já restaurado permanecia ativo, mas a tela avisava que a loja estava indisponível.

A mensagem confundia duas coisas: carregar preços para uma nova compra e reconhecer um acesso existente. Ajustamos o comportamento para que uma compra válida não dependa do carregamento do catálogo. A correção passou nos testes locais; a mensagem ajustada ainda precisava ser reconferida no aparelho sem conexão.

É um exemplo de como a experiência depende de explicar corretamente um estado que o sistema já conhece.

Em 12 de outubro: o pacote 1.0.0 passou pela validação técnica da Apple, e compras e restaurações dos planos anual e vitalício foram exercitadas no ambiente de testes. Ainda faltavam cenários de expiração, reembolso e compra interrompida, além de verificações no aparelho, antes da submissão à revisão e do lançamento.

A decisão continua com quem usa

O ClipLeve foi pensado para iPhones com iOS 18 ou posterior. Comparar a imagem, conferir o arquivo salvo e entender os controles pelo VoiceOver são partes de uma mesma preocupação: dar à pessoa condições de decidir o que fazer com os próprios vídeos.

Uma operação pode funcionar por dentro e ainda deixar dúvida na tela. Desenvolver esse produto tem exigido cuidar das duas coisas: do resultado e de como alguém consegue avaliá-lo antes de seguir.